José Torezan: uma história de família construída entre o campo e a suinocultura

Em Jateí, produtor encontrou na suinocultura uma atividade capaz de transformar a propriedade, formar os filhos e manter duas novas gerações trabalhando lado a lado

A história de José Torezan no campo começou antes da suinocultura. Ainda em São Paulo, a família vivia em um sítio em Mirandópolis. Depois, seu pai decidiu vender a propriedade e começar uma nova vida em Mato Grosso do Sul. Comprou uma área de 50 alqueires, que mais tarde foi dividida entre os filhos.

Em 1988, José recebeu sua parte: 10 alqueires. Na época, a principal atividade era a produção de leite. A mudança de trajetória aconteceria anos depois, quando ele decidiu investir na criação de suínos.

Em 2004, José construiu os dois primeiros barracões da Granja São José, em Jateí. Eram 3,6 mil animais. A partir dali, a rotina da propriedade mudou completamente.

“O leite chegou num ponto em que eu tive que vender o gado, porque não dava para trabalhar lá e trabalhar aqui. Entre os porcos e o leite, eu preferi ficar com os porcos”, conta.

A decisão marcaria o início de uma trajetória de mais de duas décadas dedicada à suinocultura.

Uma escolha que virou sustento

A opção pela suinocultura não foi apenas uma mudança de atividade. Foi também uma escolha de vida. A partir dos resultados da granja, José passou a sustentar a família e a investir na própria propriedade.

A produção cresceu ao longo dos anos. Depois dos primeiros 3,6 mil animais, um novo barracão foi construído, com capacidade para aproximadamente 5,4 mil suínos.

Hoje, a Granja São José trabalha com cerca de 9 mil animais, distribuídos entre as duas estruturas, e conta com cinco funcionários.

“Para mim e para minha família foi muito bom. A gente sempre viveu dependendo do resultado daqui, porque sempre deu boas criadas e um bom dinheiro”, afirma.

A estabilidade proporcionada pela atividade permitiu que José também realizasse um dos principais projetos de sua vida: garantir a formação dos três filhos.

Três filhos formados e dois de volta para casa

A suinocultura ajudou a pagar a faculdade dos três filhos de José. A filha se formou em Letras, enquanto Wagner e Valmir concluíram Administração.

Para o produtor, porém, a maior satisfação não está apenas em ter conseguido formar os filhos. Está em vê-los escolher o campo mesmo tendo a possibilidade de seguir outras profissões.

Hoje, Wagner e Valmir trabalham na propriedade ao lado do pai.

“Eles têm estudo para ir para a cidade e trabalhar lá, mas os três gostam do campo. Os dois filhos ficaram aqui dentro e estão até hoje”, conta José.

A permanência dos filhos representa, para ele, uma conquista que vai além dos resultados econômicos da granja. É a continuidade de um patrimônio familiar e de uma forma de vida construída ao longo de décadas.

“Eu acho muito bom, muito ótimo, porque não precisou dos dois filhos irem trabalhar fora da propriedade. Ficaram os dois aqui dentro. E acho que não vão sair”, afirma.

Crescer com os pés no chão

A trajetória da Granja São José também é marcada por investimentos feitos de forma gradual. Um dos barracões já está quitado, enquanto o mais recente ainda está sendo financiado.

José reconhece que a atividade possui dificuldades e exige planejamento, mas avalia que a suinocultura permitiu à família alcançar uma vida confortável e continuar avançando.

“A gente tem uma vida confortável, mesmo com as dificuldades que existem. A gente consegue ir para frente”, resume.

Mais do que ampliar a produção, o objetivo foi construir uma propriedade capaz de sustentar a família e oferecer oportunidades para a geração seguinte.

Olhar para a sustentabilidade

Com o passar dos anos, a família também passou a buscar alternativas para tornar a produção mais eficiente e sustentável.

A propriedade já conta com placas solares para geração de energia e estuda a instalação de um biodigestor, ampliando as possibilidades de aproveitamento dos resíduos da atividade.

São investimentos que fazem parte de uma visão de futuro para a granja e acompanham a evolução da própria suinocultura.

A força da união

Para José, o produtor não precisa enfrentar sozinho os desafios de uma atividade que exige investimento, conhecimento e acompanhamento constante. Ele destaca a importância das associações na representação e no suporte aos suinocultores.

“As associações dão todo o respaldo que o suinocultor precisa”, afirma.

É também por isso que ele recebe com satisfação a homenagem da ASUMAS. Para José, o reconhecimento tem um significado especial porque acontece dentro da própria propriedade, no ambiente onde sua história foi construída.

“Eu me sinto muito feliz com vocês virem aqui no meu barracão, no meu serviço, contar um pouco da história da nossa vida, do nosso trabalho. Já são mais de 20 anos que nós estamos nessa vida”, declara.

Uma granja, uma família, um legado

Ao longo de mais de duas décadas, a Granja São José deixou de ser apenas uma atividade produtiva. Tornou-se o ponto de encontro de uma família que encontrou no campo uma maneira de construir seu futuro.

O leite ficou para trás. Vieram os suínos, os investimentos, os desafios e as conquistas. E, no caminho, José conseguiu formar os três filhos e manter dois deles trabalhando ao seu lado.

Hoje, quando olha para os barracões e para os filhos que escolheram permanecer na propriedade, o produtor vê mais do que 9 mil animais. Vê o resultado de uma decisão tomada em 2004 e de uma história que continua sendo escrita todos os dias.