João Vieira: uma história de trabalho, família e dedicação à suinocultura

Da propriedade adquirida pelo pai, em 1979, à granja com 16,9 mil animais, suinocultor construiu uma trajetória marcada pela união da família, pelo aprendizado e pela evolução no campo

Antes de se tornar suinocultor, João Vieira conheceu diferentes atividades do campo. Na propriedade, em Glória de Dourados, onde hoje está a Granja Suinocultura de França, a família já trabalhou com arroz, amendoim, mamona, leite e criação do bicho-da-seda. A história começou em 1979, quando seu pai, depois de anos trabalhando como funcionário em outras propriedades rurais, conseguiu adquirir a terra.

Foi a partir desse esforço que a família construiu suas raízes. Décadas depois, João olha para o caminho percorrido e reconhece na suinocultura uma das principais responsáveis pela transformação da propriedade e pela união dos irmãos em torno de um mesmo projeto.

“Eu sempre falo que a família de França tem um antes e um depois da suinocultura. A gente conseguiu ampliar a propriedade que meu pai começou com muito sacrifício. Hoje temos outras propriedades e outras atividades. Isso faz a gente muito feliz e grato à suinocultura”, conta.

O começo de uma nova atividade

A entrada na suinocultura aconteceu em 2005, quando a família teve a oportunidade de construir o primeiro galpão, com capacidade para 3,7 mil animais. Para João e os irmãos, era o início de uma atividade completamente nova.

“Eu e meu irmão, como somos mais novos, nunca tínhamos nem criado um leitão no chiqueiro, como a gente falava. Então começamos juntos com a empresa integradora. Foi um desafio produzir em grande escala e com alta produtividade”, relembra.

O aprendizado veio com o trabalho diário e com o apoio da integração. A família passou a conhecer as exigências da atividade, os cuidados com os animais e a importância de produzir com qualidade.

No início, a preocupação era aprender. Com o tempo, vieram a experiência, os investimentos e a confiança para ampliar a produção. Em 2019 e 2021, novas ampliações marcaram a trajetória da propriedade. Hoje, a granja trabalha com cerca de 16,9 mil animais.

Uma conquista construída em família

Para João, o crescimento da granja representa mais do que números. É também a possibilidade de ver os irmãos trabalhando juntos e de manter a família próxima.

“Eu agradeço a Deus pela família que tenho e agradeço à empresa, que deixou todos esses aqui juntos. Não precisou nenhum sair para fora. Foi um trabalho para fazer”, afirma.

A suinocultura também abriu espaço para novas atividades. Com a expansão da propriedade, a família passou a investir na recria e engorda de bovinos, ampliando as possibilidades de produção e fortalecendo o patrimônio construído ao longo dos anos.

A trajetória, no entanto, não é vista como algo concluído. Para João, cada dia traz um novo desafio. E, na granja, o compromisso é seguir produzindo com qualidade, atenção ao bem-estar animal e responsabilidade.

“Cada dia é um desafio. O nosso desafio é produzir com qualidade, com peso e com bem-estar. A gente tem que ter bastante cuidado, porque a suinocultura é uma atividade bastante exigente”, explica.

Produção e responsabilidade

O crescimento da atividade também veio acompanhado de investimentos em sustentabilidade. Na propriedade, a família passou a utilizar energia renovável, com a instalação de painéis solares.

João destaca que a produção exige atenção constante às práticas ambientais e que esse cuidado faz parte da rotina da granja.
“A gente sabe que está numa atividade em que precisa ter bastante cuidado com a questão ambiental. As práticas ambientais na propriedade têm que ser muito cautelosas. É uma parte muito importante para o setor produtivo”, afirma.

A força da representação

Além do trabalho dentro da propriedade, João também reconhece a importância da participação coletiva para o desenvolvimento da suinocultura. Para ele, a associação representa uma forma de aproximar o produtor das discussões e decisões que impactam o setor.

“Através da associação, a gente consegue ter mais êxito nas questões burocráticas e nos incentivos. A gente acaba tendo uma representação nos órgãos públicos e em outros setores que, sozinho, não conseguiria alcançar”, explica.

É nesse contexto que ele recebe com satisfação a homenagem da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (ASUMAS).

Para João, o reconhecimento tem um significado especial porque representa a valorização de quem está no dia a dia da produção. “A gente sente uma satisfação muito grande. A ASUMAS caminha junto com o produtor, está sempre lembrando do produtor, vindo até o produtor. Não é uma associação que só tem o nome. Ela está junto, caminhando com a gente”, destaca.