Luiz Henrique: um sonho que virou vida no campo

Na Chácara Paraizo, em Itaporã, suinocultor transformou uma área de cerrado em uma propriedade produtiva e construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela família e pela união do setor

O nome da propriedade não é por acaso. Para Luiz Henrique, a Chácara Paraizo, em Itaporã, representa a realização de um sonho. Foi ali que ele construiu sua história como suinocultor, criou os filhos e encontrou, mesmo depois da aposentadoria, uma atividade à qual continua se dedicando diariamente. “Isso aqui, na verdade, é um sonho. Tanto que chama Chácara Paraizo. É um paraíso”, conta.

A relação com o campo, no entanto, começou antes da criação da granja. Luiz trabalhou como extensionista rural, prestando assistência a produtores e elaborando projetos de infraestrutura e produção. Passou pela Empaer e se aposentou na Agraer. Foi nesse período que conheceu mais de perto a suinocultura e acompanhou os primeiros movimentos de expansão da atividade em Itaporã.

Quando criar suínos ainda era novidade

No início, encontrar produtores dispostos a investir na criação de suínos era um desafio. A atividade ainda carregava preconceitos, principalmente relacionados ao cheiro e à falta de conhecimento sobre o sistema de produção.

Luiz participou de um trabalho de orientação e motivação junto a técnicos e produtores, buscando mostrar as possibilidades da suinocultura e os cuidados necessários para desenvolver a atividade.

“Na época, tivemos dificuldade para achar produtores que quisessem criar suínos. Falavam ‘porcos’, porque tinha um cheiro forte. Então havia um preconceito. Fizemos reuniões, orientações e fomos mostrando aos produtores a atividade em si”, relembra.

O envolvimento com esse processo despertou nele a vontade de também se tornar produtor. Em 1996, Luiz comprou a área onde hoje está a Chácara Paraizo, em sociedade com um amigo, já falecido. A propriedade foi dividida entre os dois, e cada um construiu seus primeiros barracões.

A área era praticamente um cerrado. Foi preciso preparar o terreno e estruturar a propriedade para receber a produção. O início foi de muito trabalho, mas também de entusiasmo.

“Compramos essa área praticamente do zero. Tivemos que desbravar para instalar os barracões. Foi um sonho que foi se realizando. Hoje é meu tudo, minha vida”, afirma.

Uma conquista que sustenta gerações

A suinocultura se tornou a principal atividade da propriedade e uma fonte importante de sustento para a família. Luiz conta que foi com a renda da produção que conseguiu criar e educar os filhos.

“Foi a suinocultura que me ajudou a criar meus filhos, educá-los. Tudo isso vem através da receita da suinocultura”, destaca.

Mesmo aposentado, ele continua presente na granja. A rotina de trabalho permanece parte de sua vida, não apenas como uma obrigação, mas como uma atividade que lhe dá satisfação.

“Venho para cá todos os dias, me dedico. É meu dia a dia e tenho prazer na atividade”, conta.

Hoje, além da suinocultura, Luiz também trabalha com engorda de novilhas, irrigação de pastagens e outras atividades. Em uma propriedade de menor porte, a diversificação é uma forma de aproveitar melhor os recursos e ampliar as possibilidades de produção.

“Como é uma pequena propriedade, a gente tenta diversificar as atividades. A gente veio do nada e conseguiu chegar nisso. Não é muito, mas, para mim, é muito. Foi uma conquista maravilhosa”, afirma.

O desafio de manter a atividade

Quase 30 anos depois do início da granja, Luiz continua acompanhando as mudanças da suinocultura. Os barracões, construídos no começo da atividade, já exigem reformas e melhorias. A modernização é um desafio constante para quem precisa manter a produção eficiente e competitiva.

Mas, para ele, a maior dificuldade está na mão de obra. A rotina exige atenção aos detalhes, conhecimento e responsabilidade com os animais.

“A suinocultura é detalhes. Você tem que observar cada detalhe para tentar tirar um lote bom. Para puxar um rodo e limpar o barracão é fácil. Difícil é ter uma cabeça pensante para analisar os detalhes”, explica.

A dificuldade de encontrar profissionais preparados se soma à menor disponibilidade de jovens interessados em trabalhar no campo.

“Hoje está mais difícil ainda. Os barracões modernos exigem menos trabalho manual, mas o nosso é antigo e precisa de limpeza diária. Então exige mais da mão de obra. E tem poucos jovens querendo vir para o campo”, afirma.

Produção com responsabilidade

Na Chácara Paraizo, Luiz também busca alternativas para tornar a atividade mais sustentável. A propriedade conta com energia solar, que contribui para a redução dos custos, e aproveita os dejetos dos suínos na pastagem.

O produtor explica que esse aproveitamento ajuda a melhorar a qualidade do solo e pode contribuir para aumentar a capacidade de produção da área.

“Os dejetos são aproveitados na pastagem. Isso ajuda na sustentabilidade da propriedade. A energia solar também reduziu o custo. A gente sempre tenta fazer alguma coisa para melhorar”, conta.

A união que fortalece o produtor

A participação associativa faz parte da trajetória de Luiz desde os primeiros anos da suinocultura. Ele foi o primeiro presidente da associação de suinocultores de Itaporã, entre 1997 e 2003, e participou da fundação da entidade.

Também acompanhou reuniões da associação estadual em Campo Grande e passou a reconhecer, na prática, a importância da representação coletiva para o desenvolvimento do setor.

“Separado, sozinho, é difícil conquistar as coisas. Mas quando todo mundo está unido e buscando o mesmo propósito, todo mundo cresce junto”, afirma.

Para Luiz, a ASUMAS tem um papel fundamental na defesa dos produtores e na construção de soluções para a atividade.

“A importância da associação estadual é enorme. A gente sabe o valor que tem a união dos produtores. É muito importante para o setor”, destaca.

Uma história para contar

A homenagem da ASUMAS chega para Luiz como um reconhecimento à trajetória construída ao longo de quase três décadas. Mais do que celebrar o produtor, o momento representa a valorização de uma história que envolve trabalho, família e dedicação à suinocultura.

Hoje, Luiz já tem três netas e aguarda a chegada da quarta. Para ele, poder contar aos filhos e netos como tudo começou é uma das maiores conquistas de sua caminhada.

“Eu tenho uma história para contar. Hoje conto isso para muitas pessoas, para meus filhos, para minhas netas. A gente fica feliz, fica orgulhoso. É um orgulho gostoso”, afirma.

Na Chácara Paraizo, o sonho que começou em uma área de cerrado continua vivo. E Luiz segue ali, todos os dias, cuidando da propriedade, acompanhando a produção e agradecendo pela oportunidade de construir sua vida no campo.

“Eu só agradeço a Deus pela oportunidade. E agradeço muito à associação estadual por estar recebendo essa homenagem. Só gratidão”, declara.