José Castelão: mais de 30 anos de persistência no campo

No Rancho Sinuelo, em Itaporã, produtor encontrou na suinocultura uma fonte de renda para a família e ajudou a construir a representação dos suinocultores de Mato Grosso do Sul

Há mais de 30 anos, José Castelão procurava uma alternativa para diversificar a produção e aumentar a renda da família. Pequeno produtor rural, ele vivia em Dourados quando surgiu a notícia de que um frigorífico de suínos seria instalado na cidade. A possibilidade de uma nova cadeia produtiva despertou seu interesse. Foi então que José decidiu investir na atividade e construiu o que viria a ser o Rancho Sinuelo.

“Como pequeno produtor, a gente buscava algo para diversificar, para ter uma renda maior. Naquela época surgiu a notícia de que haveria um frigorífico de suínos em Dourados. Foi quando construímos isso aqui”, relembra.

O início aconteceu justamente quando o novo frigorífico começava a estruturar suas operações. José já produzia suínos de engorda e chegou a fornecer os primeiros lotes para testar os equipamentos da indústria. Era o começo de uma relação que atravessaria décadas.

Do ciclo completo à terminação

A primeira experiência de José foi com o ciclo completo. Ele começou com 80 matrizes, cuidando da criação, recria e engorda dos animais. A própria propriedade produzia a ração, e apenas dois funcionários ajudavam na rotina da granja.

Com o passar do tempo, porém, os custos de produção, especialmente relacionados ao milho e à alimentação, tornaram o modelo cada vez mais difícil de sustentar. Foi quando surgiu uma nova oportunidade. Com o apoio da Seara, José deixou a produção de leitões e passou a se dedicar exclusivamente à terminação.

“Os custos não batiam. Foi quando a Seara achou viável nos apoiar e nos fornecia os suínos. Acabei com a parte de cria e recria e passei a fazer só a terminação, sempre com o apoio da Seara”, explica.

A mudança trouxe uma nova dinâmica para o Rancho Sinuelo. José iniciou a terminação com aproximadamente 1,2 mil animais, número que se mantém, com pequenas variações, até hoje.

Ao longo de mais de três décadas, ele optou por não ampliar a estrutura. A estratégia foi manter uma granja de pequeno porte, administrada de forma próxima pelo próprio produtor. “Não fiz ampliações. Não optei por colocar uma granja nova. Comecei com 1.200 cabeças, variando 50 para mais ou para menos, e até hoje tenho isso aí”, conta.

Uma renda que ajudou a formar uma família

Para ele, a principal contribuição da suinocultura foi garantir uma renda constante, capaz de complementar os resultados da lavoura e ajudar a manter as despesas da família.

“Foi aquele salário mensal que complementou as despesas para quem tem filhos e faculdade. Agradeço à suinocultura porque, mesmo com uma granja pequena, procuro conduzi-la da melhor maneira possível e ela me ajuda financeiramente em muito”, afirma.

A diferença para a agricultura, segundo José, está justamente na regularidade da receita. Enquanto a lavoura está sujeita ao clima e aos resultados de cada safra, a suinocultura proporcionou uma entrada financeira contínua.

“No decorrer dos anos, a suinocultura teve a função de me ajudar muito na formação dos meus filhos, no pagamento de escola e no equilíbrio das finanças. Foi um dinheiro contínuo, mês a mês”, relata.

Para ele, uma atividade ajudou a fortalecer a outra. Os resultados da suinocultura contribuíram para a propriedade, enquanto a lavoura também passou por melhorias ao longo dos anos.

“Consegui conciliar uma melhoria nas áreas em que trabalho. Graças a Deus, consegui melhorar as duas coisas. Uma ajudou a outra”, resume.

Uma rotina sem sábado ou domingo

Manter uma granja, mesmo pequena, exige presença constante. José conhece bem essa realidade. “É um serviço contínuo. Você sabe que não tem sábado, domingo, e a mão de obra está um pouco mais escassa que antigamente”, afirma.

Hoje, o Rancho Sinuelo conta com apenas um funcionário, e José acompanha de perto a rotina da produção. Ele também se dedica a uma pequena área de lavoura e divide seu tempo entre as diferentes atividades da propriedade.

A dificuldade de encontrar bons profissionais é, para ele, um dos grandes desafios da suinocultura. Por isso, valoriza especialmente a permanência de quem conhece a rotina da granja e trabalha com responsabilidade.

“Graças a Deus, no momento estou com um ótimo funcionário. Já está comigo há dois anos. Estou contente”, destaca.

Antes mesmo da ASUMAS existir

A história de José também se mistura à própria história da representação da suinocultura em Mato Grosso do Sul.

Quando surgiu a necessidade de criar uma associação estadual, ele esteve entre os produtores que participaram das primeiras reuniões. Ao lado de outros companheiros, ajudou a discutir a criação da entidade, buscar apoio jurídico e formalizar o registro da associação. Era o início da organização que posteriormente se consolidaria como ASUMAS.

Para José, a participação coletiva sempre foi fundamental. Afinal, os desafios enfrentados individualmente pelo pequeno produtor podem ganhar outra dimensão quando o setor se une.

“Eu fiz parte para essa associação nascer. Sozinho, é muito difícil. A união dos produtores é importante para buscar alternativas e enfrentar os problemas da atividade”, destaca.

A persistência como marca

Ao receber a homenagem da ASUMAS, José faz questão de relativizar a ideia de ser reconhecido como um grande produtor. Para ele, o que merece ser celebrado é a permanência.

“Estou até surpreso com essa homenagem. Não digo como um grande produtor, mas como alguém que, diante de todos os problemas que a gente tem numa atividade, se manteve firme durante mais de 30 anos”, afirma.

Sua trajetória representa uma realidade importante dentro da suinocultura: a de produtores de menor escala que encontraram na atividade uma forma de diversificar a renda, fortalecer a propriedade e garantir estabilidade para suas famílias.