Alice Akemi e Márcio Muraoka: de 70 matrizes a uma história construída a dois

Recém-casados e sem acesso a crédito, casal de Ivinhema começou na suinocultura com recursos próprios e construiu uma histórias de parceria e crescimento do setor em Mato Grosso do Sul

Quando Alice Akemi e Márcio Muraoka decidiram entrar na suinocultura, eles eram jovens, recém-casados e tinham mais sonhos do que recursos para realizá-los. Alice havia acabado de sair da faculdade. Márcio tinha vindo de São Paulo para Ivinhema, enquanto ela era da própria cidade. Na época, as oportunidades de trabalho eram poucas e a cidade oferecia poucas alternativas para quem estava começando a vida profissional.

Foi nesse cenário que surgiu uma proposta da Seara. A empresa buscava parceiros em Mato Grosso do Sul para iniciar a produção de suínos, trazendo os leitões de outros estados para serem criados na região. O casal decidiu apostar.

“Éramos muito jovens e recém-casados. A cidade era muito pequena e não tinha emprego, não tinha muita opção de serviço. Encontramos a proposta da Seara e fomos quase pioneiros nessa modalidade de produção”, conta Alice.

O problema era que, como jovens recém-formados, eles não tinham histórico financeiro para conseguir financiamento. Nenhum banco estava disposto a apostar naquele projeto. A solução foi começar pequeno e crescer com os próprios recursos.

“Não tínhamos crédito. Não tinha banco que financiasse e acreditasse que a gente conseguiria tocar um negócio. Então fomos fazendo aos poucos, com recurso próprio”, relembra Alice.

O primeiro passo foi dado com apenas 70 matrizes. Hoje, a Granja Muraoka possui 5 mil fêmeas ativas. Em 2025, foram entregues 165 mil leitões, e a meta para 2026 é chegar a 170 mil. Entre os 70 primeiros animais e os milhares de hoje, existe uma história construída ao longo de anos de trabalho, persistência e parceria.

Crescer juntos

A expansão da granja acompanhou também o crescimento da família. Cada novo projeto representava uma oportunidade de avançar, mas também carregava uma preocupação que ia além da produção: garantir um futuro melhor para os filhos.

Para Alice, uma das maiores conquistas de toda essa trajetória foi justamente poder proporcionar educação aos dois filhos.

“Quando a gente tem filhos, sempre pensa em como proporcionar a educação deles. Quando começávamos um novo projeto, uma ampliação, eu pensava que aquela ampliação precisava conseguir me proporcionar pelo menos a faculdade dos meus filhos”, conta.

Sustentabilidade como parte da produção

O crescimento da Granja Muraoka também veio acompanhado de investimentos em sustentabilidade. A propriedade utiliza biogás para geração de energia, uma alternativa que ajuda a reduzir um dos principais custos da atividade e, ao mesmo tempo, contribui para o aproveitamento dos resíduos da produção. A geração de energia também é complementada por placas fotovoltaicas.

Mas as ações ambientais vão além da energia. A família mantém áreas de mata auxiliar, já realizou o plantio de mais de mil mudas e trabalha na proteção das nascentes e na redução do desperdício de água. A água da chuva também é reutilizada.

Outro exemplo está na integração entre as atividades. A água resultante do sistema de tratamento de dejetos é utilizada na fertirrigação das pastagens, levando nutrientes para outra área produtiva da propriedade.

A força de um setor unido

Para Márcio, a trajetória da Granja Muraoka também está ligada ao fortalecimento da própria suinocultura sul-mato-grossense. Ele reconhece a importância da ASUMAS como espaço de representação e união dos produtores, especialmente diante do crescimento da atividade no Estado.

“A ASUMAS veio para fortalecer o nosso setor, a nossa categoria. Ela cria laços para conseguirmos recursos e meios de nos fortalecer como um setor competitivo e produtivo”, afirma.

É por isso que receber a homenagem da associação tem um significado especial para o casal. “Eu me sinto muito honrado por esse reconhecimento. Não fui o pioneiro, mas fui um dos pioneiros nessa atividade”, destaca Márcio.