Rafael Goldoni: quatro décadas de uma história que começou com 20 matrizes

Da chegada do pai ao Mato Grosso do Sul, em 1986, à produção de 1,5 mil matrizes em ciclo completo, trajetória do Grupo Goldoni é marcada pela união da família, pelo trabalho e pela continuidade entre gerações

Quando o pai de Rafael Goldoni chegou ao Mato Grosso do Sul, vindo do Rio Grande do Sul, em 1986, a suinocultura ainda dava seus primeiros passos na propriedade em Ponta Porã, que viria a se tornar o Grupo Goldoni. O começo foi modesto: 20 matrizes. Quatro décadas depois, a atividade reúne 1,5 mil matrizes em ciclo completo e continua sendo uma das bases do negócio familiar.

Entre esses dois momentos, houve muito trabalho, aprendizado e decisões tomadas ao longo dos anos. Houve também a presença constante de Rafael ao lado do pai, acompanhando a rotina da propriedade desde a infância. Hoje, ao olhar para essa trajetória, ele reconhece na suinocultura uma história que ajudou a formar sua vida e que segue sendo construída pela família.

“Eu acompanhei desde as 20 matrizes. Quando meu pai comprou a propriedade, eu tinha três aninhos. Sempre estive ao lado dele, aprendendo, escutando, vendo e colocando em prática”, conta.

Uma história construída passo a passo

O crescimento da granja aconteceu de forma gradual. Nas épocas de melhores resultados, a família aproveitava para investir, ampliar o número de matrizes e construir novos galpões. Foi assim, ano após ano, que a propriedade chegou à estrutura atual.

“Todo ano, nas épocas boas, a gente pensava: vamos aumentar matriz, vamos aumentar matriz, vamos aumentar barracão. Fomos ampliando para chegar onde chegamos hoje”, relembra Rafael.

A continuidade do trabalho ganhou um significado ainda maior após a morte do pai, há cerca de 11 anos. Rafael, que sempre esteve ao lado dele, assumiu a responsabilidade de dar sequência à atividade e seguir conduzindo o crescimento do negócio.

Para ele, a sucessão não representa apenas a passagem de uma responsabilidade. É também a oportunidade de preservar o que foi construído e, ao mesmo tempo, fazer escolhas para o futuro. “A gente que tem uma geração mais nova dá uma peneirada nas coisas. Enxerga o que é bom continuar e o que não serve para continuar. Foi assim que nós chegamos aqui”, explica.

O amor pela atividade e a força da família

Rafael é filho único. A relação com o pai e com a propriedade, portanto, sempre esteve presente em sua vida. Hoje, ele também vê nos filhos uma nova geração que acompanha o campo e demonstra interesse pela atividade.

Beatriz, que cursa Medicina em Campo Grande, mantém o gosto pela fazenda. Pedro Henrique, de 15 anos, ainda está no ensino médio e já pensa em seguir a Veterinária. Para Rafael, essa proximidade é motivo de alegria e reforça a importância da família na continuidade do negócio.

“É muito gratificante você poder dar uma estabilidade para os seus colaboradores e para a sua família. A gente vê onde estava no passado, onde chegou hoje e onde quer chegar”, afirma.

Na avaliação do produtor, o principal benefício da suinocultura está justamente nessa combinação entre trabalho, união e cuidado com os animais.

“Eu acho que é o amor pela atividade. É a união da família. É uma atividade em que a gente cuida dos animais, acompanha a produção. Isso é muito legal e muito gratificante”, destaca.

Crescer também é saber atravessar os ciclos

Ao longo de quatro décadas, Rafael aprendeu que a suinocultura exige planejamento para os períodos de expansão e também preparo para os momentos de dificuldade. A oscilação entre custos de produção e preços de venda é, segundo ele, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores.

“Historicamente, a gente tem um ano bom e dois anos ruins. A maior dificuldade é não saber se, no dia de amanhã, a atividade vai continuar remunerando da maneira que tem que remunerar”, explica.

Para o produtor, essa instabilidade interfere diretamente nas decisões de investimento. Em períodos favoráveis, a família amplia a produção. Quando o cenário muda, os projetos precisam ser adiados.

“Quando a coisa está boa, a gente investe, amplia e, dali a pouco, vem uma crise. Isso compromete muito a atividade”, afirma.

A mão de obra também é uma preocupação constante. Mesmo contando com funcionários que estão há muitos anos na propriedade, Rafael destaca que a rotatividade e a dificuldade de encontrar profissionais fazem parte dos desafios da gestão.

Diversificação e sustentabilidade

Além da suinocultura, o Grupo Goldoni atua em outras atividades, como lavoura de soja e milho, armazenagem de grãos, transporte e locação de imóveis. A diversificação faz parte da estratégia da família para fortalecer o negócio e ampliar as possibilidades de produção.

Na área ambiental, o grupo também vem investindo em práticas que aproximam a produção da sustentabilidade. Os dejetos dos suínos são aproveitados nas lavouras como adubo, e placas solares foram instaladas nas propriedades rurais.

“Na sustentabilidade, a gente já coloca todos os dejetos no campo novamente, aproveitando como adubo. Também instalamos placas solares em todas as nossas propriedades rurais. A gente sempre vem buscando essa contrapartida com o meio ambiente”, conta.

A união que fortalece o setor

Para Rafael, a atuação coletiva é fundamental para que os produtores tenham mais força diante dos desafios da atividade. Ele destaca o papel da ASUMAS na representação da suinocultura e na busca por soluções para o setor.

“Eu acho que a união faz a força, e a ASUMAS sabe disso melhor do que ninguém. Ela sabe a importância de unir nós, de brigar pelo mercado, por preço, por sustentabilidade. Acho que é de muita importância”, afirma.

É com esse sentimento que Rafael recebe a homenagem da associação. Para ele, o reconhecimento representa a valorização de uma trajetória construída ao longo de 40 anos e de uma família que segue dedicada ao campo.

“Eu fico muito feliz e muito grato à ASUMAS, aos diretores e a todo o pessoal por lembrar da gente aqui nesse cantinho de estado. Fico muito feliz mesmo, com muita gratidão no coração”, declara.